sábado, 17 de maio de 2014

todas as coisas que sentes








todas as coisas que sentes
todos os pensamentos que pensas
todos os gestos que fazes
são a tua criação
a pedir que a reconheças
nascer é entrar no mundo físico
criar é registar no mundo físico
tudo aquilo com que te sintonizas
pode descer ao mundo físico
se fixares essa energia
num papel num espaço num corpo
escrevendo, pintando, desenhando, dançando
a criatividade é isso, dar à luz
fazer chegar a este mundo
algo que já existe no céu que te recheia o peito
algo ainda noutro espaço ou noutro tempo
ou noutro plano ou noutra metáfora da consciência
as obras de arte são transferências
do mundo imaterial para o mundo material
e tocam-nos porque nos relembram a realidade do espírito
a tua harmonia é homeoestática e homeostética
tu já és todos os dias, aquilo que és
mas a tua expressão neste mundo engrandece-nos
porque te engrandece e te expande
no terreno que nos traz iguais entre iguais
todos comungamos na mesma grande mesa dos humanos
a tua expressão neste mundo engrandece-nos
quanto mais humilde mais verdadeira
e grandiosa é a tua obra a tua vida
pois nada do que é reclama
nada do que não é






segunda-feira, 12 de maio de 2014

fala do mestre sem fim nem princípio




             


FALA DO MESTRE SEM FIM NEM PRINCÍPIO

 sou nada
sou ninguém
 sou um espelho
onde podes perceber-te

 sou tudo
sou todas as pessoas
sou todas as coisas


ouve: tu és
e és o ouvido do universo

                     vê: tu és
e és o olho do universo

  pensa: tu és
e a verdade do universo


                     agora sente: 
 és simplicidade
  és verdade
  és amor


tudo 
nada
verdade  
simplicidade 
e amor
sem princípio
nem fim




inspirado em babaji











domingo, 11 de maio de 2014

FALA DO APRENDIZ SEM FIM NEM PRINCÍPIO






FALA DO APRENDIZ SEM FIM NEM PRINCÍPIO




sou o ouvido do universo
sou o olho do universo


sou a obra, o obreiro
sou verdade simplicidade amor


seguro agora no centro do universo
seguro agora no centro do coração


uma pétala sensível
e uma semente cósmica


qual é a diferença ?






 inspirado num texto de babaji 
pintura de dora condessa






terça-feira, 8 de abril de 2014

através do brilho das estrelas







era no tempo em que eu te olhava através do brilho das estrelas
e o big bang acabava de me atravessar as antecâmaras do coração
nesse tempo em que a física das nuvens não tinha chão onde apoiar-se
as tempestades não sabiam sequer como formar-se e tudo ao redor dos olhos
se espalhava nos campos como pólen beijando a boca das abelhas e tudo até a casa
e o vermelho das telhas cheirava as rosas frescas e a bébés muito bem amados
nesse tempo em que de repente o sol quebrou dois ou três raios e nós baixámos
dois ou três  abraços centígrados e o ar ficou tão húmido que podíamos sentir pequenas 
partículas de incertezas alojando bolor nos ventrículos, mudando a cor das pupilas
com que respirávamos agora com mais dificuldade e mais medo e não, não sabíamos
distinguir as subtilezas nem os discursos inflamados dos vários tons da razão, adormecíamos
nas ardilezas do medo a falar pela boca da razão, o medo a dobrar-nos as asas e a coluna lacrimal
nesse tempo em que de repente olhámos para o chão e nos baixámos com inocência animal
e apanhámos e engolimos dois ou três raios de sol quebrados e a luz oh a luz acendeu-nos
e aprendeu-nos a fazer das tripas e do coração um pequeno incêndio
como bocas de abelhas bebendo a glória do pólen
que um dia será sempre o dia em que o tempo deixar de existir
e nesse dia sempre acabado e sempre por vir a nossa história
caberá num esplendor tão pequenino que dará fruto
puro amor maduro a germinar aqui e agora
como flor, coração e memória






segunda-feira, 7 de abril de 2014

por quem segura o mundo






sou um grande coração, sou a fonte, sou a foz
ando pela minha mão e não sou eu, somos nós

há um grande segredo guardado
desde que o tempo se fez tempo
a vida nasce e nasce por todo o lado
e renasce de novo em cada momento

são as mães que seguram este mundo inteiro
e os pais que amam o último filho e o primeiro
uma dose mínima de amor é mesmo necessária
para sobreviver e uma dose máxima para viver  

e cada carícia diária não é mais que humilde emissária
do Gande Amor a derreter-se, nos abraços, nos sorrisos
na ideia luminária de que todos somos precisos

 e todos, mesmo os indecisos
sabem sem saber que o tal segredo não revelado
é que o mundo está inteiro e não ruíu porque
agora mesmo um novo ser floriu
ao sentir o amor que sobre si caíu
por ter nascido e sido regado

sou um grande coração, sou a fonte, sou a foz
ando pela minha mão e não sou eu, somos nós




fotografia: cenário da peça "by heart" de tiago rodrigues