domingo, 29 de julho de 2012

pulmões abrindo












toda a tua alma sangra amor selvagem

os olhos soltam luz e lágrimas a boca
não diz o que não pode dizer-se a não ser
boa viagem meu amor fizemos tudo
o que pudemos e soubemos enquanto

uma alegria intensa atravessada pela mágoa
confunde as explicações já fora de época

somos apenas corações rugindo pureza
pulmões abrindo e fechando sementes
caules corolas e polpas de afectos
gargantas pedindo algumas sílabas
para diluir as contradições dentro
da taça da aliança sagrada

honro-te o fogo e a vida que agora
dispara para outro castelo

os tempos suspendem-se
a verdade transforma-se
da árvore da vida nascem as raízes
de outra vida renovada
outra luz
outra alvorada





gratidão







é uma força um vento sem corpo
impalpável  como desertos inteiros varrendo
os lábios sedentos suplicando por gotas de alma
atravessas-me as células com todos os teus camelos
de águas bravas ondulando
sobre as minhas costas ainda por crescer
os meus ossos como crianças à beira do oásis
as minhas folhas cardíacas, as minhas ramificações
os meus pulmões que aprendem vénias divinas
em cada sopro em cada riso em cada alimento
que me entra na boca posso sentir-te pé ante pé
compondo os passos que levam à grande lagoa
e eu oiço e eu rezo e rezo e rezo pela minha própria divindade
és tu és tu és tu que me fazes crescer para dentro de mim
e agradeço-te e agradeço-te e agradeço-te
tu és o divino milagre de olhos rasgados no presente
tu és o divino que eu sou ao acordar do meu sono muito antigo
e agradeço-te e agradeço-te e agradeço-te
porque sei porque sinto porque não há grandes nem pequenas razões
apenas o teu fogo a forçar-me a ser quem sou quando sou para além
da cabeça suspensa nos andaimes da cidade herdada em ruínas
tu és e eu sou onde os nossos mundos se separam e unem no absoluto
e toda a vasta imensa infindável gratidão rejubila agora
explodindo sorrisos de amor fulgurante





terça-feira, 17 de abril de 2012

história do dia



o dia chega ao fim da sua longa dinastia

e começa a dar a curva para o outro lado

perdura no ar o travo salgado

do justo esforço já desnatado

entretanto a noite chega

e despe os seus veludos

secretos chuveiros começam a tecê-las

o colchão arranca junto ao chão mas

o sono vai subindo com pés mudos

atravessa o tecto e rente às estrelas

colhe os sonhos mais polpudos




terça-feira, 13 de março de 2012

lua nova vida











hoje a noite trazia um rio de laivo triste

escondido nos últimos minutos

sou peixe de pouca escama procuro refúgios onde não existem

a não ser nas camadas lá do fundo

onde o silêncio é tão grande

que tolda a vista

não se vê nada é tudo

matéria sensível

o que posso fazer a não ser

contar os movimentos vermelhos das guelras

pedir perdão

rezar à deriva agradecer

cada bolha de oxigénio cada aniversário

cada vez que disseste meu amor

oh meu amor

quando sair deste rio quero abraçar-te com todo

o meu cardume de esperanças

sacudir as águas debaixo de um candeeiro solarengo

sonhar em voz alta que tudo é possível

tudo até um coração dorido deixar-se florir

ao ouvir o ritmo repetido

da ondulação

da luz do plancton

dos teus lábios abrindo

as minhas feridas com doçura







quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

the fighter bows





after so many rounds

the fighter liks and bows

a hundred wounds

to find his tune


a quiet strange lagoon

is waiting from the start

though he thought

it was to soon


in the blossom of his heart

he finds the world is just

a love dream shadow

and love he must


praying his own sin

the fighter diving in


a prayer and a sin

a fighter diving in





heart milk






slowly my heart

turns into milk

and as it slowly beats

turns into butter


i taste the world

becomes so sweet

though i still weep i now

no longer suffer