sábado, 16 de fevereiro de 2013

coração






mergulho afundo olhos dedos 
apalpo-me por dentro avanço sem medir as raízes
a minha árvore medita no meio da floresta
atravesso o mundo nas galochas da infância
pés encostados aos mindinhos da inocência
embalados na descoberta alegre das coisas
a máquina do mundo abrindo as suas gavetas
de repente o que é isto o que se passa
uma massa esponjosa vermelho veludo uma tontura
a vida oferece-me o coração em primeira mão 
deixo-me levar pelo susto ou embalo no êxtase
a escolha é a mãe da experiência sussurram pirilampos
inseminando pequenas palavras luminosas no interior dos galhos
as minhas artérias ressentem-se revolvem-se recriam-se
eu agora em pé em frente ao coração nú
eu agora nú em frente ao coracão nú
eu agora eu em frente
eu agora eu
, coração









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